Neguinho da Beija-Flor ganha palco: musical celebra 50 anos de voz e fé
A vida de Neguinho da Beija-Flor virou palco. O musical que estreia esta semana no Teatro João Caetano transforma cinco décadas de carreira do maior intérprete da escola em um espetáculo que pulsa ao ritmo do samba, da fé e da presença feminina que marcou cada passo dessa trajetória. Dirigido por Luiz Antonio Pilar e com texto de Aydano André Motta, a peça acompanha Luiz Antônio Feliciano Marcondes desde suas raízes na Baixada Fluminense até sua despedida da avenida, costurando sua história através de encontros com Laíla, Joãozinho Trinta e Anísio Abraão David. É samba, religiosidade e as mulheres que o ampararam na luta contra o câncer: a mãe que sustendia a casa enquanto o pai vivia boêmio, a irmã que apoiou seus primeiros passos, as companheiras ao longo da jornada e a filha Ângela, batizada em homenagem a um de seus maiores sucessos.
O espetáculo não é só nostalgia: é celebração de um artista forjado na escola de samba, cuja história se confunde com a própria Beija-Flor de Nilópolis. Momentos marcantes ganham vida no palco, como o ebó de cura espiritual contra o câncer, o casamento na Sapucaí e os sucessos que transbordaram os desfiles. Com figurinos assinados por Rute Alves e atuações que envolvem plateia do começo ao fim, o musical reafirma Neguinho como presença viva, ícone absoluto do carnaval carioca e referência maior do nosso samba. De quinta a domingo, até novembro, a Marquês de Sapucaí ganha um palco de verdade no coração da cidade.

