SÉRIE OURO

Império Serrano volta à Avenida com grito de liberdade e arte

Quando o Império Serrano pisa na Sapucaí para comemorar seus 80 anos, não faz apenas festa. Faz política cantando, como sempre fez desde o berço da luta sindical. Em 2027, o Reizinho de Madureira levará para a Avenida um enredo que bate no peito da escola: “Seja marginal, seja herói: a revolução em sua legítima razão”, criado pelo carnavalesco Renato Esteves e pelos enredistas Emanuelle Rosa e Jorge Sant’Anna. A escolha é um ato de coragem histórica. Em 1969, durante a Ditadura Militar, a censura obrigou a escola a trocar a palavra “revolução” por “evolução” no seu enredo “Heróis da Liberdade”. Agora, 58 anos depois, o Império resgata aquele título em sua forma original, como quem diz: voltamos, estamos aqui e seguimos livres.

O coração do enredo bate na contracultura e na trajetória de Hélio Oiticica, artista que virou símbolo de resistência justamente com a bandeira-poema que dá nome ao desfile. Renato Esteves explica que a escola quer mostrar que arte não é decoração, é contestação. O carnaval imperiano não será um catálogo de referências, mas uma narrativa viva que passa por Cinema Novo, Teatro Experimental do Negro, Teatro Oficina e tantos outros nomes que fizeram história. Tudo transformado em imagem na Avenida, porque o desfile de escola de samba já é, por si só, a passeata mais bonita que o Rio conhece. A luta pelas liberdades, segundo Esteves, nunca termina. E a maneira que o Império escolheu para seguir lutando é cantando, dançando e enchendo a Sapucaí de cores e significado.