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Voz do asfalto: Niterói confirma sua alma popular antes mesmo da Sapucaí

Sob o céu de domingo, a Niterói converteu a Avenida Amaral Peixoto em terreno de pertença: samba na boca, gente na pista, esperança no peito. A cada nota do refrão principal, o canto ecoava forte como trovoada — acordando a rua, acordando convicções. A obra sobre Lula não foi apenas cantada: foi vivida, sentida, respirada por quem sabe que o samba nem sempre vem de luxo — muitas vezes, vem da vida real, da história do Brasil e da resistência.

A bateria de branco-e-azul acendeu o pulso da escola; o intérprete conduziu o canto com firmeza; e o conjunto caminhou com leveza e verdade. Emanuel e Thainara, com passos seguros e presença de pavilhão, representaram mais que fantasia — representaram compromisso com a comunidade e com o que o samba representa de raiz. As alas não marcharam para desfilar: cantaram para pertencer.

A Niterói provou que, mesmo antes dos holofotes da Sapucaí, o samba já pulsa forte — vivo, autêntico, popular. E que, quando o povo canta junto, o asfalto vira palco de fé, memória e festa antecipada.