Quilombo do samba se ergue nas ruas: Tuiuti acena ao futuro com direção e coração
A lua brilhava discreta, mas o que iluminava São Cristóvão era o som do surdo, o canto coletivo e o batucar do coração do Tuiuti. A escola transformou o asfalto em rota de história — com a comissão de frente invocando orixás, com o samba vibrando forte, com o corpo inteiro unido em ritmo e fé. O enredo “Lonã Ifá Lukumí” ganhou vida nas ruas antes mesmo da Sapucaí — não como ensaio, mas como ritual. O casal de mestre-sala e porta-bandeira passou com porte, com presença, com intenção — entregando ao pavilhão e à comunidade a promessa de um desfile com alma.
Pixulé provou mais uma vez por que é voz que carrega tradição. Sua performance arrancou canto, vibração e arrepios. A bateria de Marcão, firme e constante, desenhou o compasso perfeito; a ala musical, afinada e dedicada, trouxe melodia e alma. As alas coreografadas se moveram com sincronia, elegância e emoção. Não houve atropelo — mas força. Não houve exagero — mas verdade. A Tuiuti se reafirmou naquela noite: não está apenas nos treinos — está na raiz, no povo, na memória.
E para 2026, o recado ficou claro: o Quilombo do Samba não vai desfilar para competir — vai desfilar para representar. Para comemorar, para exigir, para lembrar. Para mostrar que, no samba, a luta, a fé e a herança andam juntas.

