CARNAVAL

Da estátua sem cabeça ao enredo de ouro: a história por trás do samba da Tijuca

Tem história que a gente carrega por anos antes de ela encontrar seu lugar certo no mundo. Foi assim com Lucas Milato e o enredo que levará a Unidos da Tijuca para a Sapucaí em 2027. Tudo começou quando o carnavalesco se deparou com a curiosidade de uma estátua incompleta de Santo Antônio, em Caridade, no interior do Ceará, construída sem a cabeça no corpo. Meses depois, ao ler o romance A Cabeça do Santo, da escritora Socorro Acioli, Lucas percebeu que havia descoberto algo muito maior: a autora havia se inspirado naquele caso real. A combinação de real e fantasia, de fé e mistério, o tocou fundo. Achei tudo tão inusitado, tão brasileiro, que pensei: isso merece virar enredo, conta ele.

A Tijuca, escola que sempre dialogou com o realismo fantástico e histórias oníricas, se mostrou o lar perfeito para essa narrativa. Quando Lucas foi convidado a ser o carnavalesco, a conexão pareceu natural. A sinopse transporta a trajetória de Samuel, personagem central do livro, em uma jornada por memórias, fé e descobertas que refletem sobre destino, pertencimento e esperança. A equipe ainda fez pesquisa de campo em Caridade, mergulhando nos cenários e costumes locais para construir um desfile fiel à atmosfera do sertão cearense. Para a Tijuca, que busca retomar seu lugar entre as grandes campeãs do carnaval carioca, essa aposta em uma história marcada pela fé e pelo imaginário popular surge como um caminho promissor rumo ao campeonato.