Quando o mangue invade o asfalto: Grande Rio põe fogo na Baixada e canta o futuro
A rua virou maré de tambor e canto quando a Grande Rio resolveu levar o Manguebeat para o asfalto da Avenida Brigadeiro Lima e Silva. Os surdos de Mestre Fafá bateram como se fossem ondas, e o canto de Evandro Malandro — potente, rouco, cheio de atitude — rasgou o escuro da noite com aquela urgência de quem não canta só por festa, mas por identidade, por chão, por pertencimento.
Daniel e Taciana, com a bandeira erguida e o passo firme, trouxeram a elegância do pavilhão para o cotidiano de Caxias — mais do que dança, um compromisso de honra com quem veste verde, branco e vermelho. As alas — gente de comunidade, gente das ruas — caminharam unidas, cada uma levando no corpo o sonho de transformar o Manguebeat em samba-enredo, o samba-enredo em voz da Baixada.
Quando o som parou, a rua não se calou: seguiu vibrando. Porque naquele dia, o ensaio da Grande Rio não foi só preparação para desfile — foi declaração de fé, de raiz, de luta. O samba não espera carnaval: ele começa na rua, na chuva, no grito coletivo, no corpo que acredita.

